
Há outra lenda da lagoa
Que se aqui não for escrita
Muito nos magoa
Foi contada por D. Rita.
Menino, moço e idoso
Branco, mulato e crioulo
Cristão que acredita
Não nega D. Rita.
Conta a velha madama
Que em certa Semana Santa
Houve grande desobediência
Tendo horrível consequência.
Era sexta-feira Santa
Fazendeiro e convidados
Com bebidas e bailados
Celebravam nova aliança.
Na rua passava a procissão
As beatas rezavam em oblação
O padre a oração interrompeu
Pra fazenda foi correndo.
Lá chegando, gritou:
- Parem com esta heresia!
O baile animado continuou
Perdiam-se todos na fantasia.
O padre decepcionado
Praguejou aos quatro lados
E o caminho de volta
Ele fez com muita revolta.
A procissão seguiu seu caminho
A fazenda num redemoinho
Desapareceu com todos os presentes
Muitos em Deus, ficaram mais crentes.
Frente ao esquife do Senhor morto
um cavalo se ajoelhou
Um bêbado se espantou
e um beato se maltratou.
No lugar da fazenda afundada
Apareceu uma lagoa do nada
De lagoa bomba é chamada
E por Cabloco d'água é assombrada.
Lenda não , meu cidadão
Verdade contada e reafirmada
Como o fim justifica o meio
A lagoa existe seja qual for o entremeio.
Lenda não , meu cidadão
Verdade contada e reafirmada
Como o fim justifica o meio
A lagoa existe seja qual for o entremeio. |