
A Igreja de Nossa Senhora do Carmo pertence à Venerável Ordem Terceira de Nossa Senhora do Monte Carmelo, confraria constituida em 1761 por homens brancos e nobres.
O risco original, do Mestre Tiago Moreira, sofreu sucessivas modificações, inclusive com intervenções de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. Possui características do 3º período do Barroco / Rococó. A pedra fundamental foi lançada a 8 de Junho de 1763, e o término das obras só ocorreu muitos anos após, em data que não se pode precisar com exatidão.

Sua ornamentação é influenciada pelo chamado estilo Rococó, possuindo no seu interior trabalhos em madeira, com riqueza de detalhes em ouro. São obras do Mestre Aleijadinho: as imagens dos carmelitas de São João da Cruz e São Simão Stock, as armas do frontispício, os dois púlpitos, as portas principais, as grades do corpo da Igreja em jacarandá, todo o conjunto do coro com os Atlantes. Os trabalhos externos foram esculpidos em pedra-sabão.
Os púlpitos são de risco e execução do Aleijadinho.
Tem enquadramento das portas e suporte em pedra trabalhada e tambores em madeira, com escultura em baixo relevo reproduzindo cenas do Novo Testamento nas faces centrais.

No lado do Evangelho, cenas de Cristo apontando no cofre o coração do avarento, com as figuras de São Mateus e São Lucas nas faces laterais do púlpito.

No do lado da Epístola, episódio de Cristo e a Samaritana, com as figuras de São Marcos e São João nas faces laterais. Os tambores tê m superfícies onduladas, de notável movimentação plástica.
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Figuras dos Atlantes, esculpidas pelo Aleijadinho.
"Sustentam" a estrutura do coro, espaço reservado às orquestra e corais sacros.
Destacam-se também nas laterais , em escultura do mestre Aleijadinho, dois vigorosos e expressivos atlantes, que sustentam o coro, chamados popularmente de Sansão .
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A Igreja ostenta três altares: dois no arco cruzeiro e o principal, na capela-mor. Os retábulos do arco cruzeiro apresentam boa talha rococó, em pintura de branco e ouro. Salientam-se as colunas laterais retas, de aste de madeira estriada, as pilastras com motivos rocaille e os coroamentos à maneira de dossel (1) , com proteção superior em sanefa .
Os trabalhos de talha dos altares foram entregues a Francisco Vieira Servas e seu colaborador José Fernando Lobo, que haviam trabalhado em vários templos de Minas.
Imagens de São João da Cruz e de São Simão Stock, no altar do arco-cruzeiro, esculpidas pelo Aleijadinho.

O coro, de autoria do Aleijadinho, é excepcional pelo arrojo de sua concepção, com as linhas harmonicamente moduladas, acentuando o efeito de profundidade e monumentalidade.

São também obras do Aleijadinho a balaustrada - grades de madeira torneada - na divisão da nave com a capela-mor e o coro.

O teto da capela-mor ostenta painel com Nossa Senhora do Carmo entregando o escapulário a um Santo da Ordem. É emoldurado por muro-parapeito, onde se salientam as figuras de S. Alberto Patriarca, S. André Corsino, S. Luiz Rei de França e S. Eduardo R.I.
A pintura do teto da nave representa o episódio de Santo Elias, sendo transportado para o céu numa carruagem de fogo, deixando seu discípulo Eliseu, para continuar sua obra.
Nas paredes da capela-mor, painéis em barra pintados à feição de azulejos, representando os dez mandamentos, de autor desconhecido.
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Pintura simbólica no teto da Sacristia, tendo ao centro o Espírito Santo.
A Joaquim Gonçalves da Rocha se incumbiu de fazer as pinturas, que como Manoel da Costa Ataíde, era admirado e respeitado.
(1) Dossel: Armação saliente, forrada e franjada, que se coloca sobre altares.

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