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HISTÓRICO

Zoroastro Vianna Passos, escritor sabarense, defendeu a tese de que muito antes da chegada de Manoel Borba Gato a Sabará, a região já era habitada por povoadores vindos pelo caminho da Bahia.

Antiga estrada de pedra no alto do Complexo Dois Irmãos (flanco esquerdo da chácara do Lessa). Único exemplo, perfeitamente conservado, do processo de pavimentação de estradas em Sabará no século XVIII.

Para isto, Zoroastro apresenta vários argumentos, entre eles o fato de que Borba Gato respeitou esses pioneiros, permanecendo nas proximidades de Roça Grande e evitando subir pelas margens do Rio Sabará, afluente do Rio das Velhas.

O bandeirante paulista passou à História como fundador do Arraial do Sabará, até porque foi ele quem enviou ao Governador da Capitania de São Paulo as primeiras notícias sobre a existência das minas do Sabarabuçu, localizadas no vale do Rio das Velhas.

O arraial desenvolveu-se rapidamente e, em 1711, era elevado à categoria de Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará. Três anos após, em 1714, foi a Vila transformada em sede da extensa Comarca do Rio das Velhas, uma das quatro primeiras a serem criadas na Capitania das Gerais Sua área de jurisdição compreendia uma parte do território onde hoje se localizam mais de duas dezenas de municípios, inclusive o de Belo Horizonte.

Sabará foi um dos núcleos de mineração da Província que mais ouro encaminhou à Corôa Portuguesa. Seus rios e lavras eram riquíssimos do precioso mineral, e houve época em que os trabalhos de garimpagem ocupavam milhares de escravos.

Casa da Intendência, atual Museu do Ouro

Tão intensa tornou-se a mineração nessas paragens, que o Governo Português aqui fez instalar a Casa da Intendência, para cobrança do "quinto".

Fundido, dele se excluia a quinta parte, destinada à Coroa, sendo o restante devolvido ao minerador, em barras que levavam o cunho oficial. Só assim poderia o ouro ser negociado, incorrendo os transgressores em severas penas.

Paralelamente ao desenvolvimento da mineração, ocorria o desenvolvimento do núcleo em todos os sentidos, especialmente o comércio, que chegou a ser o melhor da região.

Era o apogeu!

GALERIAS DE MINAS, REMANESCENTES DA EXPLORAÇÃO DE OURO EM SABARÁ NOS SÉCULOS XVIII E XIX.

Chácara do Lessa
Arraial Velho
Marcas de ferramentas na parede de uma mina de ouro sabarense - Séc. XVIII

Documentário vivo da opulência de uma era febril são os magníficos Templos do Carmo, de Nossa Senhora da Conceição, de Nossa Senhora do Ó, bem como a Casa da Intendência, o Solar do Padre Correia e o Hospício da Terra Santa, verdadeiros palácios naquela época, assim como outras construções que o tempo fez desaparecer.

Destruíram-se várias dezenas de prédios, entre os quais destacam-se, pela importancia documentária, as Casas Nobres da Rua do Fogo, que pertenceram ao comendador Abreu Guimarães.

A vida de Sabará, como a de todas as cidades e como a vida dos indivíduos, passou por várias fases.

Sabará teve dias de esplendor, de honraria e de riqueza. Sucederam-se, todavia, dias de decadência e de regresso, dias alegres e dias sombrios.

Do grande centro comercial que chegara a ser, servido inclusive pelo porto fluvial do Rio das Velhas, já nos princípios do Século XX, restavam apenas as lembranças, do "ciclo do ouro"

Casa de pedra, próxima à Fazenda Piçarrão Ruínas do século XVIII

Os ingleses, já instalados no Antigo Arraial de Congonhas do Sabará, atual Nova Lima, buscavam ouro nas entranhas da terra, com toda uma equipagem mecânica que assombrava pela eficiência e desencantava os garimpeiros, ainda teimosos em revirar o leito dos rios, na busca desesperada do metal cada vez mais difícil.

A indústria de ourivesaria, insistia em resistir heroicamente à concorrência dos grandes centros, já iniciados no sistema das grandes produções a baixo custo, fruto de um aparelhamento racional mais condizente com a época.

Era o declínio!

Silencioso, mas sempre presente, o ferro aguardava a sua oportunidade, que haveria de chegar um dia.

Foi então que surgiram em Sabará Cristiano Guimarães, Amaro Lanari e seu cunhado Gil Guatimozim, para plantar, à sombra amiga e acolhedora da Igrejinha do Ó, a semente de pequena árvore, a que deram o nome de Companhia Siderúrgica Mineira.


Era o começo de novo ciclo na vida de Sabará: "O Ciclo do Ferro".

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